Tejuçuoca: Troca de acusações de baixarias marcam sessão da câmara de vereadores

Para melhor exercer seu papel, livres de perseguições e censuras, a Constituição garante aos representantes do legislativo (senadores, deputados estaduais, deputados federais e vereadores) a imunidade parlamentar. A imunidade tem a finalidade de impedir que os parlamentares sofram coerção ou sejam punidos em razão de suas posições, bem como para garantir a liberdade política. Ou seja, os parlamentares são imunes em relação a suas posições, nas esferas civil e criminal. Trata-se de uma garantia à função.

Ocorre que usualmente, as casas legislativas, na tentativa de evitar abusos do dispositivo de imunidade de fala, editam regras para os pronunciamentos na tribuna ou no plenário. Caso um representante do legislativo adote procedimento incompatível com o decoro parlamentar ou das regras dispostas nos regimentos internos, ou ainda se vier a cometer crimes de opinião, estará sujeito até mesmo à perda do mandato.

Feito este preâmbulo, passemos ao que ocorreu na última sessão legislativa da câmara de vereadores da cidade de Tejuçuoca, realizada nesta segunda-feira, dia 13 de setembro. Não é exagero dizer que o debate, que deveria ser instrumento da análise dos problemas do município e de seu povo, transformou-se em um espetáculo deprimente de ofensas e baixarias. Acusações mútuas, expressões chulas e até palavrões dominaram a sessão. Para quem assistia, a impressão era que o bate boca entre membros da situação e da oposição estava próximo de se transformar em agressão física.

O clima se acirrou após uma prestação de contas realizada pela secretária municipal da saúde, Roberta Vidal. Atendendo a uma convocação da Câmara, a gestora foi ao parlamento dar esclarecimentos sobre as ações desenvolvidas pela Secretaria e sobre demandas ainda não solucionadas. Ao final da explanação, o líder o prefeito Antonízio de Brito, vereador Fábio Gondim, destacou as ações positivas na área da saúde, mas logo foi rechaçado pelos vereadores Robério do Choro, Letícia Camelo e Elso da Silva, oposicionistas aliados da ex-prefeita Heloilde Estevam.

Não demorou muito para que o debate em torno do tema fosse substituído por ofensas e acusações pessoais. Letícia Camelo, ao ser questionada sobre dívidas deixadas pela gestão anterior, da qual foi secretária, partiu para o ataque e tentou desqualificar os argumentos de Fábio Gondim afirmando o seguinte: “Esse rapaz não sabe o que fala”. Letícia ainda chegou a insinuar que a mesa diretora da casa estaria tentando boicotar seu pronunciamento através de ‘problemas que estariam ocorrendo com seu microfone’. A vereadora acusou a base do prefeito e apenas dizer ‘amém’ às ações do executivo e de baixar a cabeça.

Em outra passagem lamentável o vereador Robério do Choro, em uma tentativa desrespeitosa de também atingir Gondim, apelou para ofensa à família do colega de parlamento: “Não quero saber de p***a de Gondim”, referindo-se aos pronunciamentos de Fábio Gondim durante a campanha eleitoral do ano passado, ocasiões em que exaltava a trajetória de seus familiares. Robério referiu-se ainda ao seu interlocutor como vereador “caldo de bila”.

O momento mais tenso da sessão ainda estava por vir! Fábio acusou Robério de obter indevidamente junto à secretaria municipal da saúde, durante as gestões anteriores, soro fisiológico comprado com recursos públicos para tratamento de humanos. O insumo era adquirido junto ao governo passado para aplicação em cavalos. O mais grave é que o vereador acusado admitiu a prática afirmando que “o cavalo tem vida”! “Peguei e não foi uma vez só não”, disse.

Em contra-ataque, Robério acusou Gondim de utilizar máquinas da prefeitura para realizar trabalhos de transporte de areia para um parque de vaquejadas de propriedade particular, acusação rechaçada por Fábio. Segundo ele, o serviço foi pago com recursos próprios. Robério do Choro também acusou Fábio de ter “dado fim aos papeis” de uma paciente que teria sido transferida para um hospital de referência em Fortaleza. Gondim, aos gritos de ‘mentira’, negou a omissão.

Elso da Silva, que já foi presidente da Câmara, em tom menos agressivo, disse que os atuais vereadores que compõem a base do prefeito são “ babões”.

Como se pode denotar do relato acima, essa foi uma sessão demonstrativa de que o nível das discussões no parlamento tejuçuoquense está rasteiro e a casa legislativa não está à altura do povo daquele município. Nas redes sociais a população reprovou o comportamento de parte de seus representantes. Até discussões de mesa de botequim podem ser mais proveitosas do que esse tipo de “lavagem de roupa suja” protagonizado pelos representantes do povo. Resta saber se a mesa diretora da casa tomará providências para que episódios como esse não venham a se repetir.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *